quinta-feira, 19 de maio de 2011

CENTRO ANTIGO PARTE UM - MARCOS, IGREJAS, JUSTIÇAS E VALES

Um pastor aproxima-se diante da estátua de bronze do apóstolo Paulo e canta "Glória, aleluia" para os jovens urbanos. Surpresos, sorriem. Pamela, agarrada ao meu braço de pilhéria, com "medo" da violência da metrópole, sorri.
"Que Deus abençoe todos vocês!"
Estamos abençoados em nossa primeira exploração do centro antigo da melhor cidade do mundo - ao menos pra mim.

Paramos diante do Marco Zero da cidade, na Praça Sé.
'Então é daqui que tudo se mede? Como assim"
"Quando uma distância é medida, por exemplo, Campinas a tantos quilometro de São Paulo, é daqui que começa a contar a distancia. É o Marco Zero. Olha isto não chão. é uma bússola. Uma rosa dos ventos."
Eles analisam. Minas Geraes, Santos, Paraná...
'Que barato!"

Entramos na catedral da Sé. Espiritas, católicos, protestantes, independente do credo, admiram a arquitetura neo gótica do templo religioso mais famoso da cidade.
'A cripta está fechada. Pena".
"Cripta?"´
"É. Tibiriçá está enterrado aí. Além de mais alguns personagens históricos e autoridades religiosas. Pena que não poderemos entrar."
"E você acha que eu ia entrar aí?" - Indaga Bia.
Velas artificiais, fiéis em devoção, passamos por tudo sem incomodar e saimos por uma das saidas laterais, em direção ao Palácio da Justiça.

"Só não pode fotografar e entrar de boné. Guardada estas observações, podem ficar a vontade."
Saio à escadaria de dou o recado. Edson e Samuel tiram os bonés. Murilo rateia, protesta, mas tira.
Entramos. Logo, um mestre de cerimônia, Fábio, nos conduz à sala do juri, onde um grupo de idosos está
com uma monitora. Ela fala da importancia histórica do lugar e da simbologia da Jvstiça - vitrais com deuses greco-romanos, águias e cores. Fábio nos guia pelas escadas e nos apresenta o belo edificio tombado como patrimônio público. Colunas de Itú, mármore de Portugal e Itália, tapetes vermelhos. O lugar é um sonho. Fábio nos conduz por vários lugares e salas, algumas perguntas surgem. Peço que ele fale sobre a carreira e a vida numa função juridica. Ele fala apaixonadamente da faculdade e da beleza da função. Todos percebemos que ele é apaixonado pelo que faz.

Na Sé, fotos diante dos chafariz. A policia está por perto, os moradores da praça também. Nada nos incomoda, a não ser um morador que pede maconha para o Murilo. Atravessamos a praça até o Pateo do Collegio. Incentivo o toque do sino da paz. Temerosos por causa do policiamento, seguram-se, até que a Michelly vai lá e faz o sino soar. Os policias nem olham, aí a festa começa.

No largo São Bento, falo do mosteiro e da igreja.
"O bandeirante Fernando Dias está enterrado aí. Vamos entrar em silêncio e pisar na cova dele", falo brincando, lembrando de um velho dito nosso. Entramos respeitosamente no recinto. Atravessamos a nave e chegamos diante do altar, onde o bandeirante está enterrado. Eles lêem a placa de bronze - ou seria ouro? - e Mariana, com um sorriso no rosto, pisa no Bandeirante. Discretamente, todos dão uma pisadinha na figura história. Deus meus, incitei a anarquia adolescente! Do lado de fora, digo:
"Gente! Quando eu falei pra pisar no bandeirante, eu tava brincando!"
"Ah, é? E você pisou também por quê?"
Risos.

Dia agradável, mas precisamos voltar pra casa. Damos uma olhada rápida na sede da Prefeitura de são Paulo,  descemos a galeria Julio Prestes e saímos no Anhagabaú.
"Aqui é o famoso Vale dos Mortos."
"E cadê eles?"
"Mortos."
Imaginamos aquilo antes de 1554. São Paulo começou por aqui, onde passamos hoje. Animados, os jovens urbanos atravessam o Vale dos Mortos em direção ao metrô. Lá encontramos Fernando e Claudio esperando por nós. Atrasados, fizeram a exploração sozinhos, na esperança de encontrar a turma. Não encontrada a turma, aguardaram na entrada do metrô.
"Na semana que vem começamos daqui. Faltou o Largo São Francisco e a Faculdade de Direito", mas semana que vem nós passamos lá."
"E você ainda acha que sabe o tempo da nossa peça?"
Diz Mariana, lembrando um dialogo nosso ainda no trem sentido Brás, sobre a apresentação do dia 01/06.
Olho feio, ela sorri. Embarcamos no metrô.

Voltamos a São Miguel. O centro de São Paulo ficou lá, ainda pulsando vivamente, com seus marcos, tribunais, igrejas e vale dos mortos. Preciso perguntar isto amanhã para os jovens: Às vezes vocês não sentem que São Miguel é uma pequena São Paulo?

  

Um comentário:

  1. Fora do assunto. Mas segue lá para postagem
    Viva Adoniran Barbosa. E o que falar da mídia?

    Escritores riem da tese da Globo sobre língua popular e livro didático 'errados'
    Enviado por Adriano S. Ribeiro, sex, 20/05/2011 - 10:06
    Autor:
    Adriano S. Ribeiro

    Os escritores Marcelino Freire e Cristovão Tezza participaram nesta semana do programa "Entre aspas", apresentado por Mônica Waldvogel na GloboNews. Com bom humor, os dois escritores rechaçaram a tese da Globo (e da velha mídia), que, a partir de trechos retirados do contexto, ataca o livro "Por uma vida melhor", adotado pelo Ministério da Educação para turmas de jovens e adultos.

    Quando a apresentadora fala em "regra errada do português", imediatamente Tezza, professor aposentado da UFPR, a interrompe e a corrige: "Variedades não padrão".

    Mônica responde: "Estamos tucanando aqui". Ao que Tezza rebate: "É um conceito linguístico esse. Todas as línguas do mundo funcionam assim, são variedades. [...] A diferença entre dialeto e uma língua é que uma tem exército, e a outra não. É a história das línguas."

    Marcelino Freire cita o poeta Sérgio Vaz: "Quando a gente diz nós vai, é porque nós vamos".

    Tezza explica:

    "Quando você constrói uma gramática escrita, você escolhe formas, passa a escrever essa formas, passa a defendê-las. E elas passam a ser o certo. E aí se começa a estigmatizar o que não está daquela forma. Isso é construção histórica das línguas padrões [...].

    O conceito de variedade linguistica é fundamental, não há mal nenhum em mostrar aos alunos, mesmo dos primeiros anos, que a língua é um conjunto de variedades, inclusive para trabalhar com a diferença e a importância da norma culta. O que não precisa é humilhar ninguém para fazer isso.. é um processo esmagador, a escola tem muito poder, o aluno chega lá, só fala a variedade dele, o professor vai olha, você é burro, senta ali no milho... não. Vamos trabalhar de outra forma. É uma questão didática."

    "Que conselho vocês dão aos que estão tão preocupados?", questiona a apresentadora, ao final do programa.

    É a deixa para Freire arrematar:

    "Vão de Adoniram Barbosa: "Arnesto nos convidou / prum samba ele mora no Brás / Nóis fumo, num encontremo ninguém..." [mais risos]

    Fonte:
    http://drrosinha.com.br/livrodidatico/

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